Economia Política Internacional

A China tem se consolidado na América Latina como potência econômica pela estreita participação no desenvolvimento da região, especialmente no comércio e no financiamento de longo prazo. Mas, após a crise financeira de 2008 e o boom das commodities, que sustentou a valorização cambial e promoveu o crescimento econômico na região, a qualidade do desenvolvimento da América Latina tem se deteriorado rapidamente, com entraves na modernização da indústria e dificuldades nas contas externas. Frente ao avanço paradoxal entre globalização econômica e fragmentação política, que emerge no rastro do neoliberalismo, vários países têm agravado sua dependência econômica e financeira com o país asiático, justamente no momento em que o grampo da acumulação global entre EUA e China está se deformando com o avanço do protecionismo. Para evitar a armadilha de substituir a dependência dos EUA pela China seria preciso repensar a atual política de amarração de juros e câmbio, que impede a retomada do crescimento num sistema internacional cada vez mais complexo e antagônico. Por isso, cogitar uma política econômica autônoma e comprometida com os interesses de reindustrialização da economia brasileira, em tais circunstâncias, requer uma investigação, na perspectiva da economia política internacional, da capacidade de resistência local às transformações estruturais em curso e de articulação dos interesses da indústria com as expectativas dos chineses para a economia brasileira. O que motiva essa perspectiva metodológica é a vulnerabilidade externa, não apenas da periferia mas de todo sistema internacional em relação ao hegemon os Estados Unidos. Como as estruturas de poder no plano internacional são hierárquicas e as relações assimétricas, toda análise da economia mundial precisa considerar a interdependência e vulnerabilidade dos atores envolvidos, tendo em vista que o movimento de globalização intensifica a distribuição do poder no sistema internacional. A globalização tende a aprofundar não apenas a interdependência entre os atores sociais, mas também as assimetrias pré-existentes. Daí a importância da noção de vulnerabilidade externa, porque nos remete ao conceito de poder no sistema internacional. O efetivo poder entre os estados nacionais é inversamente proporcional à vulnerabilidade de cada nação em relação as demais. O conceito tem duas dimensões básicas: as opções políticas ou instrumentos de resposta e os custos do ajustamento, que determinam o grau da vulnerabilidade externa do país. Somente uma análise conjunta desses elementos, que forma o sistema econômico internacional, pode demonstrar como a globalização econômica tem afetado a distribuição do poder e comprometido à eficácia dos instrumentos de política econômica, como a política cambial e de comércio exterior, a política monetária e da taxa de juros e, especialmente, a política de controle dos fluxos internacionais de capitais, nas economias capitalistas globalizadas. Referência: GILPIN, Robert. A Economia Política das Relações Internacionais. Brasília: Editora UnB, 2002.

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