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Arranjos Produtivos Locais

Com a internacionalização da produção e a redefinição das funções do estado, a partir da crise estrutural do capital nos anos 70, as escalas territoriais se modificam, fortalecendo os níveis de ação regionais e elegendo o território como fonte de vantagens e os atores locais como determinantes da competitividade das atividades econômicas. Nos anos 80, o território deixa de ser simplesmente o lugar onde se desenrolam as atividades econômicas e surge como novo protagonista, ator político e econômico do desenvolvimento, com potencialidades socioeconômicas intrínsecas. As teorias do desenvolvimento endógeno surgem na esteira desse processo, enfatizando os fatores internos que podem desencadear o desenvolvimento territorial. O desenvolvimento é alcançado não pela capacidade local em atrair atividades econômicas dinâmicas, mas por gerar internamente estas atividades. Para tanto, é necessário que a região disponha efetivamente de vantagens suficientemente fortes para que os meca...

Financial network

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A globalização financeira tem aprofundado o domínio das finanças sobre o capital produtivo e, com isso, as instituições financeiras têm ampliado o seu controle sobre os mercados tradicionalmente não abarcados pelos bancos, fundos de pensão e outras instituições que operam no mercado monetário e de capitais. As funções bancárias tradicionais têm sido ‘complementadas’ cada vez mais por funções industriais. Desde minas de carvão e refinarias, de depósitos de metal e participação em portos e aeroportos, a ampliação das atividades não-bancárias dos bancos em todos os segmentos da vida econômica tem tornado as finanças cada vez mais dominantes no sistema econômico. Por exemplo, o banco de investimentos Goldman Sachs administra em Detroit (EUA) 27 armazéns, onde guarda atualmente 1,5 milhões de toneladas de alumínio. A função de abastecer o mercado de commodities não é uma função tradicional do sistema bancário. Contudo, em 1999, as regras que impediam os bancos de operarem com matérias-pri...

Nova Economia Institucional

A nova economia institucional de Ronald COASE ( The Nature of Firm , 1937) e Douglas NORTH ( Institutions, Institutional Change and Economic Performance , 1990) busca construir uma teoria econômica das instituições compatível com a economia neoclássica, bem como demonstrar a influência das instituições na regulação dos mercados e no desenvolvimento econômico. Desde a década de 1930, as teorias neoclássicas tentam incorporar as instituições na explicação do comportamento da firma e do funcionamento dos mercados. Com a síntese entre a economia neoclássica e o keynesianismo, Paul SAMUELSON ( Economics , 1948) então reconhece que a concorrência perfeita é apenas um modelo normativo e, portanto, inadequado para representar a instabilidade do sistema capitalista, o comportamento das grandes corporações, a existência dos bens públicos consumidos socialmente e a existência das externalidades. Sendo assim, Samuelson, que também entende a firma somente como lugar da produção de bens e serviços, ...

Economia Política Internacional

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A China tem se consolidado na América Latina como potência econômica pela estreita participação no desenvolvimento da região, especialmente no comércio e no financiamento de longo prazo. Mas, após a crise financeira de 2008 e o boom das commodities , que sustentou a valorização cambial e promoveu o crescimento econômico na região, a qualidade do desenvolvimento da América Latina tem se deteriorado rapidamente, com entraves na modernização da indústria e dificuldades nas contas externas. Frente ao avanço paradoxal entre globalização econômica e fragmentação política, que emerge no rastro do neoliberalismo, vários países têm agravado sua dependência econômica e financeira com o país asiático, justamente no momento em que o grampo da acumulação global entre EUA e China está se deformando com o avanço do protecionismo. Para evitar a armadilha de substituir a dependência dos EUA pela China seria preciso repensar a atual política de amarração de juros e câmbio, que impede a retomada do cres...

Gestão de riscos coletivos

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A reinvenção habitual não parece ser um tratamento suficiente para aplacar as contradições da sociedade civil agravadas pelo surto avassalador em escala global do Covid-19. Como enfrentar, então, um evento dessa natureza, tendo em vista a impossibilidade de se enquadrar o desconhecido em modelos de previsão? No início de 2020, o Bank for International Settlements (BIS) publicou um estudo, The green swan , onde adverte para a possibilidade de uma crise financeira global ocasionada por mudanças climáticas. A expressão se refere a eventos fora da curva com forte impacto sobre a economia, como interrupção da produção, desvalorização de ativos reais e financeiros e desemprego em massa; ou seja, eventos potencialmente catastróficos na vida das pessoas, das empresas e dos países em geral. A despeito do estudo apontar uma preocupação com os efeitos em cascata na economia em função de uma abrupta mudança climática, não podemos deixar de observar as semelhanças analisadas com os efeitos da pand...

Trabalho informal

A subutilização da força de trabalho no Brasil alcançou 27,5 milhões de trabalhadores em setembro de 2019, segundo o IBGE, dos quais 12,5 milhões estavam desempregados e 4,7 milhões eram desalentados, que haviam desistido de procurar emprego. Com uma População Economicamente Ativa de 106,3 milhões, o país tinha 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade naquele ano; ou seja, 41% da população ocupada. Com a pandemia do Covid19, o governo federal estimava que 54 milhões de trabalhadores ou mais estariam na informalidade, em condições de solicitar o Auxílio Emergencial. Em 2020, o recuo de 4,1% do PIB fez a taxa média anual de desemprego no Brasil subir para 13,5% da população economicamente ativa, após ter atingido 14,6% em meados do último trimestre do ano, ampliando a subutilizacao da força de trabalho para 33,5 milhões de trabalhadores.

International Monetary Power

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O conceito de poder monetário internacional refere-se à mudança no comportamento de um estado como resultado de seu relacionamento com outro. Enquanto meio de coerção no ajustamento das contas externas, uma condiçao essencial no exercício do poder monetário internacional é a liberalização financeira, a qual pressupõe a estrutura hierárquica das moedas. Em termos gerais, o poder coercitivo da moeda remete à manipulação das relações monetárias pelos estados com o objetivo de influenciar as preferências ou o comportamento de outros estados nacionais. A dificuldade em demonstrar como funciona o poder monetário internacional está na separação extremamente complexa da busca pela riqueza da busca pelo poder no comportamento dos estados, pois os estados podem usar meios políticos para alcançar objetivos econômicos e meios econômicos para atingir objetivos políticos. Contudo, é possível identificar certas estruturas de poder associadas às políticas monetárias nos diferentes regimes monetários ...