Global cities
Em seu artigo "Locating cities on global circuits." In: SASSEN, S. (Org.). Global networks, linked cities. London: Routledge, 2002, p. 01-37, Saskia Sassen aborda o estado e a nova geografia do poder, onde analisa o impacto da globalização econômica no estado-nação, critica a noção de que a globalização econômica tem diminuído a importância do estado nacional e aborda as implicações da noção de interação entre a economia global e o estado nacional. Para ela, a globalização tem fortalecido certos componentes dos estados nacionais e debilitados outros, além de ter aprofundado os vínculos entre os cidadãos dos países e a economia global, exigindo maiores inovações e iniciativas político-administrativas. As proposições da autora são: 1) A economia global necessita de um conjunto de funções altamente especializadas que não podem ser operadas apenas pelas corporações; quer dizer, as cidades globais (como New York, London e Tokio) são lugares estratégicos para a produção destas funções especializadas. 2) A economia global exige um enquadramento institucional, cuja transformação é uma condição da implementação do sistema econômico global no país. 3) A globalização transforma (parcial, mas profundamente) a organização territorial da atividade econômica e o poder político-econômico. A questão a ser discutida é: "Quais os efeitos da globalização na configuração do estado soberano, na estabilidade institucional do estado, no sistema interestatal e no próprio sistema de governo?" Por certo, o processo de produção está se tornando cada vez mais complexo no que diz respeito à distribuição geográfica e controle da propriedade. As inovações nas tecnologias da informação e a redução nos custos do transporte, juntamente com as recentes técnicas e estratégias de gerenciamento, tem transformado as condições de organização da produção das empresas transnacionais. Com isso, o movimento de globalização transforma não apenas a organização territorial das atividades econômicas, mas também o poder político e econômico das corporações transnacionais no mercado mundial. Com o incremento das funções centrais (financeiras, legais, contábeis, administrativas, executivas e de planejamento) das grandes corporações, o processo de globalização conduz simultaneamente a formação de um complexo de serviços corporativos, estrategicamente concentrados nas chamadas ‘cidades globais', formando uma rede de lugares estratégicos encarregados de conduzir o processo de acumulação capitalista em escala global, além de concentrar o poder político e econômico nos países mais avançados do capitalismo. Desse modo, a globalização tem facilitado não apenas a acumulação capitalista em escala mundial, além do permitido pelo crescimento das empresas transnacionais e aquém do recomendável pelo equilíbrio das contas externas dos estados nacionais, como também fomentado as rivalidades interestatais pela apropriação do excedente e alimentado a fogueira do nacionalismo exacerbado.
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