Gestão de riscos coletivos

A reinvenção habitual não parece ser um tratamento suficiente para aplacar as contradições da sociedade civil agravadas pelo surto avassalador em escala global do Covid-19. Como enfrentar, então, um evento dessa natureza, tendo em vista a impossibilidade de se enquadrar o desconhecido em modelos de previsão? No início de 2020, o Bank for International Settlements (BIS) publicou um estudo, The green swan, onde adverte para a possibilidade de uma crise financeira global ocasionada por mudanças climáticas. A expressão se refere a eventos fora da curva com forte impacto sobre a economia, como interrupção da produção, desvalorização de ativos reais e financeiros e desemprego em massa; ou seja, eventos potencialmente catastróficos na vida das pessoas, das empresas e dos países em geral. A despeito do estudo apontar uma preocupação com os efeitos em cascata na economia em função de uma abrupta mudança climática, não podemos deixar de observar as semelhanças analisadas com os efeitos da pandemia sobre a economia global, como a desencadeada pelo Covid-19. A diferença entre ambos os eventos está na irreversibilidade que pode estar associada a uma mudança climática, e não estar numa pandemia, a qual pode ser revertida pelo avanço técnico-científico a médio prazo. Mas os efeitos imediatos de tais perturbações trazem consigo uma série de riscos bastante semelhantes, de mercado, de crédito e liquidez, de cobertura e mesmo operacional, quando a infraestrutura de apoio a produção apresenta problemas para funcionar, sem contar os riscos de transição, provenientes de uma mudança inesperada nos regulamentos em vigor. A questão é saber se tais riscos poderiam ser previstos e evitados, ou antes se temos condições de reclamar uma organização da sociedade que pudesse minimizar os impactos associados a eventos dessa natureza? Referência: BOLTON, Patrick [et al]. The Green Swan. Central banking and financial stability in the age of climate change. BIS, 2020.

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